Planejamento · 9 min de leitura

E-commerce B2B: requisitos de preço por cliente, pedido mínimo e aprovação

Levante os requisitos do e-commerce B2B: cadastro e aprovação, tabela por cliente, pedido mínimo, pagamento e integrações, com matriz de aceite. Use no projeto.

Por Guilherme Fernandes, responsável pelos projetos da SouLoja · Atualizado em

Ilustração de paletes com caixas, uma prancheta com faixas de preço e um carimbo de aprovação

Um e-commerce B2B começa por uma lista de regras comerciais, não pela escolha da plataforma. Quem compra é uma empresa, e cada empresa pode ter preço próprio, pedido mínimo, prazo de pagamento e pessoas diferentes para comprar e aprovar. Antes de pedir orçamento, essas regras precisam estar escritas de forma que possam ser testadas, porque é delas que depende a resposta para “a plataforma atende ou vai precisar de desenvolvimento?”.

Este guia é para indústrias, distribuidoras e marcas que vendem para revendas, lojas ou profissionais e querem levar esse atendimento para uma loja virtual, sozinho ou ao lado do varejo. Ele ajuda a levantar requisitos e a classificá-los. Não existe uma resposta única: as plataformas tratam B2B de formas muito diferentes, e a mesma plataforma pode atender uma regra no plano mais alto e não atender no de entrada.

Quais regras do B2B precisam ser levantadas primeiro?

Cinco grupos de regras definem quase todo projeto B2B. Para cada um, a pergunta não é “precisa ter?”, e sim “como funciona hoje, com quem e com que exceções?”.

Grupo Perguntas a responder Exemplo de requisito verificável
Cadastro Quem pode comprar? Precisa de CNPJ, inscrição estadual, documentação? Pessoa física compra? Só empresas com CNPJ cadastrado acessam os preços de atacado
Aprovação O cadastro é liberado na hora ou depois de análise? Algum pedido precisa de aprovação? Cadastro novo fica bloqueado até aprovação manual da equipe comercial
Tabela de preços Há uma tabela para todos os clientes, uma por grupo ou uma por cliente? O preço vem do ERP? Cliente do grupo “revenda” vê a tabela de revenda depois do login
Quantidade e pedido mínimo O mínimo é por valor, por quantidade, por produto ou por múltiplo da caixa? Produto X só pode ser comprado em múltiplos de 12 unidades
Condições de pagamento Há venda faturada? Limite de crédito? Prazo diferente por cliente? Cliente com prazo aprovado pode finalizar com boleto a 28 dias

Duas perguntas costumam ficar de fora e mudam o projeto. A primeira: o mesmo site vai vender para consumidor final? Se sim, preços, promoções e frete do varejo não podem vazar para o atacado, e o contrário. A segunda: quem, dentro da empresa compradora, faz o quê? Uma rede com várias unidades pode ter compradores em cada loja e um aprovador na matriz.

Como saber se a regra é nativa, extensão ou desenvolvimento?

Com as regras escritas, cada uma precisa ser validada na plataforma candidata e classificada em quatro categorias: recurso nativo, dependente de plano, aplicativo ou extensão, e desenvolvimento específico. A classificação vem da documentação oficial e de um teste no ambiente da plataforma, nunca da página de vendas.

Três exemplos documentados, consultados em 20/10/2026, mostram como as respostas variam:

  • Nuvemshop: a central de atendimento descreve um recurso de vendas no atacado e varejo na mesma loja, com tabelas de preço vinculadas a clientes, valor mínimo de compra para o atacado e autocadastro de atacadistas com acesso automático à tabela. O recurso não está nos planos Começo e Essencial; o Impulso permite 1 tabela, o Escala até 3 e o Next tabelas ilimitadas. A página informa que promoções e frete grátis nativos valem só para o varejo, que os preços de atacado só aparecem depois do login e não descreve uma etapa de aprovação manual do cadastro.
  • Shopify: a central de ajuda informa que o B2B está disponível nos planos Basic, Grow, Advanced e Shopify Plus, e não nos planos Starter e Retail. Clientes B2B são cadastrados como empresas, e cada empresa pode ter preços, produtos, meios de pagamento e de envio próprios. A mesma página avisa que os recursos B2B disponíveis dependem do plano, o que exige conferir recurso por recurso na tabela da Shopify.
  • Adobe Commerce: a documentação do módulo B2B descreve contas de empresa com divisões, usuários, papéis e permissões, catálogos compartilhados com preço por empresa, cotações negociáveis, pedidos de compra sujeitos a regras de aprovação, listas de reposição e compra a prazo com limite de crédito gerido pela loja. É um exemplo de plataforma empresarial em que boa parte das regras B2B é recurso documentado do produto, com o custo e a complexidade correspondentes.

Os três exemplos não servem para escolher entre eles; servem para mostrar que “tem B2B” é uma resposta incompleta. O que importa é se cada regra da sua lista é atendida, em qual plano, e o que fica de fora. A escolha da plataforma de e-commerce traz uma matriz para essa comparação com os mesmos requisitos.

Quando uma regra central não é atendida por nenhuma alternativa pronta, a decisão passa a ser outra: adaptar o processo, aceitar uma extensão com manutenção própria ou desenvolver. O guia sobre plataforma pronta ou sob medida ajuda nessa decisão.

Como desenhar integrações, perfis de acesso e testes?

No B2B, a loja raramente é a fonte da verdade. Tabela de preços, limite de crédito, cadastro do cliente e situação financeira costumam morar no ERP. Por isso, o desenho da integração vem junto com o levantamento de requisitos, e não depois.

Para cada dado, defina três coisas:

  1. Origem: em qual sistema o dado nasce e é atualizado (preço no ERP, cadastro na loja, crédito no financeiro).
  2. Sentido e frequência: o dado vai da loja para o ERP, do ERP para a loja ou nos dois sentidos, e com que frequência.
  3. Conflito: o que acontece quando os dois sistemas discordam, e quem é avisado.

Os requisitos da integração com ERP detalham esse mapa, inclusive para pedidos e estoque.

Os perfis de acesso seguem a mesma lógica. Liste os papéis dentro da empresa compradora (comprador, aprovador, financeiro, consulta) e os papéis do lado da loja (comercial que aprova cadastros, financeiro que libera crédito, atendimento). Para cada papel, escreva o que ele pode ver e fazer. Esse texto vira o critério de teste.

Por fim, os testes precisam usar empresas compradoras, não clientes genéricos. Um teste de B2B só é útil quando simula um cliente com tabela própria, outro sem cadastro aprovado e outro com uma regra de pagamento diferente. É o que a matriz abaixo organiza.

Matriz de requisitos B2B com três perfis de compradores

A matriz é um modelo ilustrativo. Os três compradores são fictícios e foram montados para cobrir situações frequentes em projetos B2B; adapte os nomes, as regras e os valores à sua operação. A coluna “Onde atende” fica para você preencher depois de validar cada regra na plataforma candidata, com uma destas marcações: nativo, depende do plano, aplicativo ou extensão, desenvolvimento específico, ou não atende.

Perfis fictícios:

  • Comprador A, revenda regional: loja multimarcas com um CNPJ, compra mensal, uma pessoa compra e paga. Usa a tabela de revenda e paga com boleto faturado.
  • Comprador B, rede com várias unidades: cinco lojas, cada uma com um comprador, e um aprovador na matriz. Tem tabela negociada própria e prazo de pagamento definido em contrato.
  • Comprador C, profissional autônomo: compra pequena e esporádica, com CNPJ de microempresa. Usa a tabela profissional e paga com cartão ou Pix.
Nº Requisito Comprador A Comprador B Comprador C Critério de aceite Onde atende
1 Cadastro com CNPJ e aprovação manual Sim Sim, uma conta por unidade Sim Cadastro novo não vê preços de atacado até ser aprovado
2 Tabela de preços por grupo Tabela revenda Tabela própria Tabela profissional Cada comprador vê só a sua tabela; visitante vê varejo ou nenhum preço
3 Preço vindo do ERP Sim Sim Sim Alteração no ERP aparece na loja dentro do prazo combinado
4 Pedido mínimo por valor Valor mínimo definido Valor mínimo por unidade Sem mínimo Carrinho abaixo do mínimo não finaliza e mostra quanto falta
5 Quantidade em múltiplos da caixa Sim Sim Não Produto com múltiplo de 12 não aceita 10 unidades
6 Compradores e aprovador na mesma empresa Não Sim Não Pedido de unidade fica pendente até o aprovador da matriz liberar
7 Pagamento faturado com prazo Boleto faturado Prazo de contrato Não Só clientes liberados veem a opção faturada no checkout
8 Limite de crédito Sim Sim Não Pedido acima do limite disponível é bloqueado ou vai para análise
9 Cartão e Pix Opcional Não Sim Meios exibidos conforme o perfil do comprador
10 Varejo separado do atacado Sim Sim Sim Promoção de varejo não se aplica ao pedido B2B, e o contrário
11 Pedido de reposição Lista de itens frequentes Lista por unidade Não Comprador refaz um pedido anterior em poucos passos
12 Pedido enviado ao ERP Sim Sim, com unidade identificada Sim Pedido chega ao ERP com cliente, tabela, condição de pagamento e unidade

Para usar a matriz, rode cada linha com o perfil correspondente em ambiente de teste, com dados fictícios. Registre o resultado e a evidência (captura, número do pedido no ERP) ao lado do critério. As linhas marcadas como “desenvolvimento específico” são as que mais pesam no orçamento e na manutenção, e devem ser discutidas uma a uma antes da proposta.

Condições e limites

Os recursos de B2B citados foram consultados em 20/10/2026 nas documentações oficiais da Nuvemshop, da Shopify e da Adobe Commerce e variam por plano e por versão. A presença de um recurso na documentação não garante que ele atenda à sua regra exatamente como ela funciona hoje: cada requisito precisa ser testado. Regras fiscais (inscrição estadual, substituição tributária, emissão de nota) normalmente são tratadas no ERP ou no emissor fiscal, e devem ser validadas com o contador e com o fornecedor do sistema. Concessão de crédito e cobrança faturada dependem do processo financeiro do lojista e, quando houver, do intermediador contratado.

Próximo passo

Com a matriz preenchida, compare as alternativas pela escolha da plataforma de e-commerce e confira os requisitos da integração com ERP. Se as regras cabem em uma plataforma pronta, a criação de loja virtual profissional da SouLoja parte desses requisitos para configurar, integrar e testar a loja. Se a validação mostrar que regras centrais exigem desenvolvimento próprio, o caminho é o desenvolvimento de e-commerce sob medida.

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