Implantação · 9 min de leitura

Tray com ERP: como planejar SKUs, estoque e pedidos sem duplicidade

Planeje a integração da Tray com o ERP: sistema mestre de cada dado, padrão de SKU por variação, status de pedido e homologação com amostra. Use o modelo.

Por Guilherme Fernandes, responsável pelos projetos da SouLoja · Atualizado em

Ilustração de caixas de estoque em prateleiras com etiquetas, ligadas por setas a uma prancheta de pedidos e uma loja

Integrar a Tray a um ERP sem duplicar produtos, vender sem estoque ou perder pedidos depende menos do conector escolhido e mais de três decisões tomadas antes dele: qual sistema manda em cada dado, como cada variação será identificada e o que acontece com o pedido em cada mudança de estado, inclusive cancelamento e devolução. Este guia trata só da integridade dos dados entre a Tray e o ERP. Se a sua dúvida é como distribuir o catálogo entre loja própria e marketplaces, comece pelo guia da loja Tray conectada a marketplaces.

A página de integrações da Tray lista dezenas de ERPs com conexão disponível (consultado em 20/10/2026). O primeiro passo é confirmar ali, ou com o fornecedor do seu ERP, se existe conector para a Tray, quem o mantém e qual versão será usada. Tudo o que vem abaixo depende dessa resposta. Se a disponibilidade de conectores ainda pesa na escolha entre plataformas, vale comparar Tray e Nuvemshop por esse critério.

Qual sistema manda em cada dado?

Em uma integração, cada dado tem um dono. Quando a Tray e o ERP discordam, o valor do sistema mestre vence e o outro é sobrescrito na próxima sincronização. Se essa regra não estiver escrita, a equipe vai corrigir o estoque no painel da loja e ver a correção desaparecer minutos depois. Os critérios gerais para definir essa divisão, válidos para qualquer plataforma, estão nos requisitos da integração com ERP; abaixo, a aplicação na Tray.

Dado Mestre mais comum Direção Ponto de atenção
Cadastro fiscal (NCM, origem, unidade) ERP ERP → Tray A API de produtos da Tray tem campo de NCM; confirme se o conector o preenche
Nome, descrição, fotos, categorias Tray Não volta ao ERP Texto de venda costuma ser trabalhado na loja, não no ERP
Referência (SKU) do produto e da variação ERP ERP → Tray Nunca editar na Tray depois de integrado
Preço de venda ERP ou Tray, nunca os dois Um sentido só Promoções da loja podem ficar na Tray mesmo com preço base no ERP
Estoque ERP ERP → Tray Vendas da loja precisam baixar o saldo no ERP pelo pedido, não por ajuste manual
Pedido Tray Tray → ERP Definir em que status o pedido é enviado ao ERP
Nota fiscal e rastreio ERP ERP → Tray Confirmar se o conector devolve esses dados ao pedido
Cliente Tray Tray → ERP Necessário para emitir a nota

Como padronizar o SKU de produto e de variação?

A documentação da API da Tray mostra que tanto o produto quanto cada variação têm campo próprio de referência e de código EAN, e que a variação carrega seus atributos (por exemplo, “Cor: Azul” e “Tamanho: 38”) além de preço e estoque próprios. Na prática, isso significa que cada combinação vendável precisa de um código único, igual no ERP e na Tray.

Regras que evitam a maior parte dos problemas:

  1. Um código por item vendável. O produto “pai” tem uma referência; cada variação tem a sua, diferente da do pai e das irmãs.
  2. Código nunca reaproveitado. Produto descontinuado leva o código junto. Reaproveitar faz o histórico de pedidos apontar para o item errado.
  3. Sem espaços, acentos ou caracteres especiais, e sempre na mesma caixa (maiúsculas ou minúsculas).
  4. Estrutura legível, para que a equipe reconheça o item sem consultar o sistema.
  5. O ERP gera, a Tray recebe. Se o cadastro nasce na Tray, defina quem cria o código e em que momento ele vai para o ERP.

Exemplo ilustrativo de padrão: CAM-BAS-AZ-M para camiseta básica, azul, tamanho M, com o produto pai como CAM-BAS. O padrão em si importa menos do que ser aplicado sem exceção.

Kits merecem uma decisão à parte: o kit tem código próprio e baixa o estoque dos componentes, ou é um item com estoque independente? A resposta depende do que o ERP e o conector suportam, e precisa ser testada.

Como planejar sincronização, estados de pedido, cancelamentos e devoluções?

A documentação da Tray lista os status de pedido padrão da plataforma: aguardando pagamento, a enviar, enviado, finalizado e cancelado, além de variantes ligadas ao meio de pagamento (a documentação informa que, desde 06/06/2022, os status “Aguardando Vindi” e “A enviar Vindi” são usados por padrão nos novos pedidos). Na tabela de planos, consultada em 20/10/2026, status personalizados aparecem a partir do plano Crescimento, e o workflow de status, no Avançado.

O conector precisa traduzir cada status da Tray para um evento no ERP. O mapa abaixo é um modelo para preencher; a coluna do ERP depende do sistema e do conector.

Status na Tray O que deve acontecer no ERP Estoque Status no ERP (preencher)
Aguardando pagamento Pedido criado como pendente, ou não enviado ainda Reservar ou não, conforme a regra
A enviar (pagamento aprovado) Pedido liberado para faturar Baixa definitiva
Enviado Nota emitida e rastreio devolvido à Tray Sem mudança
Finalizado Pedido concluído Sem mudança
Cancelado antes do faturamento Pedido cancelado no ERP Estorno do saldo
Cancelado depois do faturamento Cancelamento ou devolução fiscal, conforme o caso Estorno só quando o item volta
Devolução (status personalizado, se o plano permitir) Entrada de devolução Estorno após conferência do item

Três decisões precisam constar no escopo da integração:

  • Quando o pedido vai para o ERP: na criação ou só após o pagamento. Enviar na criação ajuda a reservar estoque, mas gera pedidos que nunca serão pagos.
  • Quem cancela: se o cancelamento nasce na Tray, no ERP ou nos dois, e como um avisa o outro.
  • Devolução não é cancelamento: o item só volta ao estoque depois de recebido e conferido, e isso costuma ser um lançamento manual no ERP.

Frequência e limites

A documentação da Tray descreve um sistema de webhook que avisa o aplicativo integrador quando produtos, preços, estoques, variações, pedidos e clientes são criados, alterados ou excluídos. Ela registra três cuidados: as notificações valem só para ações ocorridas depois da adesão ao webhook; quando a URL do integrador falha, a Tray reenvia com intervalos crescentes; e a recomendação é armazenar as notificações e agrupar as idênticas antes de agir. A mesma documentação informa limite de 180 requisições por minuto, e a tabela de planos lista uma cota diária de API externa por plano (1.000, 5.000 e 30.000 requisições por dia, de Lançamento a Avançado, consultado em 20/10/2026). Pergunte ao fornecedor do conector se ele usa webhook ou consulta periódica, de quanto em quanto tempo sincroniza e como trata esses limites em catálogos grandes.

Como homologar com amostra e corrigir falhas?

Ligar a integração para o catálogo inteiro de uma vez transforma qualquer erro de mapeamento em centenas de produtos para corrigir. A homologação usa uma amostra pequena e representativa.

Amostra mínima sugerida: um produto simples, um produto com variações de dois atributos, um kit (se houver), um item com estoque zero, um item em promoção e um item com peso e dimensões fora do padrão.

Fluxograma do pedido de teste

  1. ERP cadastra o produto com variações e envia à Tray. Conferir: referência, EAN, preço e estoque de cada variação.
  2. Na Tray, completar descrição, fotos e categoria. Conferir: a próxima sincronização não apaga esse conteúdo.
  3. Ajustar estoque no ERP. Conferir: o novo saldo chega à Tray, e em quanto tempo.
  4. Fazer um pedido na loja e aprovar o pagamento. Conferir: o pedido chega ao ERP com cliente, itens pela referência certa, frete e desconto.
  5. Faturar no ERP. Conferir: nota e rastreio voltam ao pedido na Tray e o status muda.
  6. Fazer um segundo pedido e cancelar antes do faturamento. Conferir: cancelamento no ERP e estorno do estoque.
  7. Simular uma devolução do primeiro pedido. Conferir: o estoque só volta após a entrada no ERP.

Tabela de campos da homologação

Preencha uma linha por campo. O cabeçalho registra a versão testada, porque uma atualização do conector pode mudar o comportamento.

Conector: __________ · Versão: __________ · ERP e versão: __________ · Plano Tray: __________ · Data do teste: __________

Campo Campo no ERP Campo na Tray Direção Resultado do teste
Referência do produto Referência do produto ERP → Tray
Referência da variação Referência da variação ERP → Tray
EAN EAN (produto e variação) ERP → Tray
Atributos da variação Tipo e valor da variação ERP → Tray
Preço e preço promocional Preço / preço promocional
Estoque Estoque da variação ERP → Tray
Peso e dimensões Peso, medidas, peso cúbico ERP → Tray
NCM NCM ERP → Tray
Pedido e itens Pedido Tray → ERP
Nota e rastreio Pedido (envio) ERP → Tray

Como identificar e corrigir falhas de sincronização

Depois do lançamento, mantenha um registro simples de falhas: data, item, sintoma, causa e correção. Os sintomas mais comuns e onde olhar primeiro:

Sintoma Causa provável Correção
Produto duplicado na Tray Referência alterada ou diferente entre os sistemas Unificar a referência no mestre e excluir o duplicado sem pedidos
Estoque volta ao valor antigo Ajuste feito fora do sistema mestre Ajustar só no ERP
Pedido não chega ao ERP Status de envio diferente do configurado, ou item sem referência correspondente Conferir o log do conector e o cadastro do item
Variação vendida sem saldo Intervalo de sincronização longo para o giro do item Reduzir o intervalo ou manter estoque de segurança
Nota não aparece no pedido Conector não devolve nota, ou retorno desligado Confirmar o recurso com o fornecedor do conector

Condições e limites

Status de pedido, campos e limites de API foram consultados na documentação de desenvolvedores e na página de planos da Tray em 20/10/2026. Os dois materiais citam limites diários diferentes para a API, por isso confirme com o fornecedor do conector qual se aplica ao seu plano. A base de conhecimento da Tray não pôde ser consultada nesta revisão; o passo a passo de cada conector deve ser conferido no tutorial oficial dele e verificado no plano contratado. A configuração fiscal (regras de tributação e emissão de nota) é responsabilidade do ERP e do contador.

Próximo passo

Se a integração com o ERP vai também alimentar marketplaces, o mapa de canais e o teste do SKU em cada canal estão no guia da loja Tray conectada a marketplaces. Para entregar a loja com o sistema mestre definido, a padronização de SKUs aplicada e a homologação documentada, conheça a nossa criação de loja na Tray.

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